Jocelino Freitas

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Não vão ao meu lançamento

Amigos, não vão aos lançamentos dos meus livros. Não são eventos para vocês. Quando escrevi o primeiro livro fiquei muito feliz com a presença de muitos dos meus amigos e parentes. Era um acontecimento inédito, o advogado escrevera um romance, todos queriam ver. Hoje, depois de quatro romances, duas antologias e diversas participações especiais, ainda vejo os recados em meu celular, que faço questão de não portar durante as sessões de autógrafos, e também no meu e-mail. Sinto a frustração daqueles que não puderam comparecer, preocupados em não me deixar magoado.

Por isso, sem querer parecer pretensioso ou grosseiro, peço agora carinhosamente a meus amigos: não vão, não é um evento para vocês. Meus livros criaram vida própria, já não são para amigos. Eles se destinam aos leitores, pessoas que mantêm uma relação literária com o escritor Jocelino Freitas. Já não sou o amigo que lança um livro. Sem que percebêssemos , o seu amigo deixou de ser o advogado que escreve romances e passou a ser um escritor. Isso é bom, pois já não dependo que pessoas que gostam de mim comprem um exemplar para decorar estante ou presentear alguém com uma obra de qualidade duvidosa. Não, hoje sou um escritor e minha carreira tem que seguir seu rumo sem a influência de quem gosta apenas do autor sem conhecer a sua obra.

Então, amigos, vocês receberão, em breve, e-mails convidando para comparecer a algum evento, lançamento de livros escritos por mim ou nos quais tenho participação. Peço, sinceramente, que não compareçam, a não ser que estejam dispostos a ser meus leitores, independente da amizade que nos une. Nem precisam comparecer se não quiserem, podem comprar diretamente nas livrarias, pois o sucesso de um livro se mede, afinal, pela vendagem e não pelo público da sessão de autógrafos.

Só assim saberemos!

P.S.:

1) Tenho um amigo que comprou 50 exemplares de cada um de meus livros quando lancei. Grande amigo, me deu um incentivo enorme presenteando outras pessoas. Algumas leram e de vez em quando encontro uma dessas pessoas presenteadas. O problema é que o amigo parece que não leu... rs...

2) Tenho outro amigo que comprou 10 exemplares de "O Senhor do Tempo", lançado em 2007. Outro dia fui ao seu escritório e constatei que os dez livros ainda estão lá, sobre a mesa. Como posso culpar o amigo por gostar tanto dos livros que não quer se desfazer deles?



Jocelino Freitas

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Publicado em 10/03/2010 às 00h08


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